domingo, 27 de novembro de 2016

Fim de semana na Cozinha

Um dos prazeres que o desemprego trouxe, foi a cozinha! E se antigamente, o tempo era curto para fazer uma sopa rápida, agora dá para muitas e doces experiências ... e eu aproveito-o bem. Não sou bem  uma cozinheira, sou mais uma doceira, pois é nos doces e nas sobremesas  que me deixo levar pelo entusiasmo. Talvez o entusiasmo se reflicta nos "n" quilos que ganhei logo a seguir ao desemprego, em que n = muitos .

Este fim de semana foi em cheio!
Comecei no sábado logo de manhã com uma espécie de bolo rainha, especialidade cá de casa ... não é mais do que uma massa de pão brioche onde depois de levedar, adicionei vinho do Porto, frutos secos a gosto (200g de passas, amendoas, avelãs, nozes) e raspa de laranja, formar a coroa, deixar levedar mais um pouco e vai ao forno. 


Hoje, continuei com outra receita, a tarte de maçã "copiada" do blogue da Pinta, que já aguardava há alguns dias que eu fizesse iogurtes, pois estava nos ingredientes. Claro que entre o Bolo Rei e a Tarte de Maça, fiz iogurtes e também fiz pão; 


E já que o forno está quente vamos também fazer uns Húngaros, receita nova,  ainda estou em dúvida entre esta receita e a minha de sempre, mas não está mal !


Hoje tinha prometido a mim mesma que ia sair de casa, mas com o marido fora e os miúdos entretidos no computador, nem dei pelo tempo passar. Sinto que nesta altura da minha vida  o meu maior problema é combater esta vontade imensa de me deixar ficar em casa. 

E assim se desperdiçou um dia magnifico de sol, mas quando estou na cozinha o tempo corre de forma diferente e nem dei por ele.

Agora, espera por mim um chá quente e uma lareira acesa.  




sábado, 19 de novembro de 2016

Diário da horta - continuação

Só  voltámos à horta no fim de semana passado, o que confirma a minha convicção,  nunca conseguiria-mos ter uma horta só nossa.
Estava tudo feito!
A azeitona apanhada, limpa de folhas e já entregue no lagar de azeite.

Cumprir todas as burocracias exigidas legalmente, mesmo para quem tem uma horta para consumo familiar, é uma aventura. Facturas?!?! Guias de transporte?!?! Cursos para poder sulfatar ... Estamos a falar de hortas particulares, que apenas servem para produzir umas couves "lá para casa". No lagar de azeite, já avisaram que para receberem azeitona precisam de facturas! E sobre o assunto não comento mais, que de tão caricato que me parece, só pode ser confusão. Vou pesquisar mais.

No primeiro diário da horta, mostrei fotos dos produtos que trouxe para casa, hoje deixo as fotos da horta.

Algumas das cebolas, assim, aguentam um ano.

Quando chove, não se consegue entrar na horta, estes regos de couves estão  na entrada do terreno para os dias de chuva.

Existem muitas árvores de fruto no terreno, muitas laranjeiras. Chegam para nós e para oferecer a outros familiares e vizinhos. Mesmo assim, muitas laranjas estragam-se, acho que está sobre dimensionado para  o nosso consumo. Mas o planeamento não foi meu  =)

Couves e bróculos - outro exagero! comemos nós, os vizinhos, as galinhas ... 

diversos =)
Armadilhas para as moscas, cada árvore tem 2 ou 3 garrafas destas para apanhar as moscas africanas que estragam a fruta. O que vêem dentro da garrafa são moscas, milhares delas. Alguém me dizia que as outras moscas "vulgares" que também são apanhadas nestas armadilhas afinal são úteis na horta para combater alguns tipos de pragas. Não sei qual a veracidade desta informação ?!

Feijão verde, os últimos, já com as sementes maduras, são descascados e comem-se como o feijão normal. Chamam-lhe o feijão da horta, tem um sabor mais amargo e é mais duro. Eu não gosto.

Pimentos

Dióspiros, agora com a chuva já devem estar todos estragados, é pena, porque ainda tinha muitos.

Temos uns terrenos semi-abandonados, entregues aos vizinhos que aproveitam o pasto para os animais e foi aí que me lembrei: e se fizesse uma seara de trigo? Ando a matutar nesta ideia, já me disseram para não pensar nisso sequer. O problema é moer o trigo para fazer farinha, já não existem moinhos. Produzir a minha farinha era ser quase independente.
Um dia volto para o campo de vez e nunca mais penso na engenharia que tão pouca felicidade me trouxe. Quando digo isto ao meu pai, "dá-lhe" uma urticaria alérgica a ideias "alternativas". Ele que em novo fugiu da agricultura, e que depois de reformado, voltou para ela!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Recomecei as caminhadas

É muito fácil deixar a preguiça instalar-se, quando o conforto do sofá está a dois passos e a obrigação de sair de casa, simplesmente não existe. Passamos a estar dependentes  da nossa força de vontade para nos mexer.

De manhã é o pai quem os leva à escola,  vão sempre a pé, ou de bicicleta na melhor das hipóteses. Os pedidos para irem de carro - vá lá, só hoje ... - que funcionavam muito bem com a mãe, com o pai não surtem o menor efeito. Faz frio de manhã,  as escolas não são propriamente  perto de casa e aperta um bocadinho o coração vê-los sair com aquela carinha de que não apetece mesmo nada ir a pé. Mas vão! O mais velho, que estava a ficar gordinho, emagreceu significativamente e voltou a vestir as roupas que já tinham deixado de servir, mas por pouco tempo porque os braços e as pernas crescem muito. O pai, também sente diferenças e se no início era difícil o percurso, agora já não sente qualquer dificuldade. Faltava a mãe, que se acomodava à pouca vontade de sair de casa. Quantas menos vezes se saí, menos apetece sair.

Hoje retomei as caminhadas.
Logo pela manhã, logo a seguir ao pequeno-almoço !
Uma hora, sempre a andar bem, o mais depressa que consigo.
Primeiro o frio, depois o sol quente, depois a troca de duas palavras com uma amiga que encontrei por acaso. Soube bem!
Amanhã, quero mais!


terça-feira, 15 de novembro de 2016

As nossas escolas - parte 1

Somos o país europeu com mais horas de aulas semanais, somos o país europeu, onde mais se reprova. As nossas crianças saem de casa, quando os pais vão trabalhar e só regressam a casa quando os pais regressam também. Os pais trabalham, chegam a casa e entre banhos, TPC e jantar, passa a noite,  sem sobrar tempo ou qualidade de vida.

Pela manhã os pais saem de casa já cansados, e os meninos , em muitos casos, saem de casa   com um pequeno almoço demasiado calórico, demasiado açúcarado, rico em amido e em gorduras; pobre em proteínas e vitaminas. Vão de carro, não se mexem, não consomem a energia que ingeriram, chegam à escola  exigem-lhes que se sentem e assim permanecem durante muito tempo,  caladas, atentas e sossegadas! Elas não conseguem, precisam de se mexer, precisam de correr, de brincar, de gritar de serem crianças. Não podem, dão-lhes ritalina - o medicamento do momento - e elas acalmam, aquietam-se no seu lugar e não chateiam mais.

Os meninos também têm as actividades, que funcionam como um escape às consciências dos nossos dias, os meninos fazem desporto, vão às aulas de música, vão ao inglês, portanto está tudo bem ... parece que controlando todos os seus passos vamos ter adultos bem moldados à sociedade e profissionais competentes, pro-activos, assertivos e  bem sucedidos, já para não falar nas festas de aniversário onde tudo é organizado no mais pequeno pormenor, para que as crianças se divirtam ... será?

Já ninguém corre na rua, no parque sem que os pais gritem que se sujam, que se magoam, que vão magoar alguém ... que qualquer catástrofe iminente vai acontecer. Tudo é almofadado para que as nossas crianças não esfolem os joelhos. Os jogos de lutas e de armas que aterrorizam os adultos, são muitas vezes proibidos por ideologias que esperam formar adultos pacíficos. Ainda ontem eu ouvia um apelo do Prof. Carlos Neto para que deixem as crianças brincarem ás lutas e ás guerras porque ao contrario do que se pensa, o contacto físico nestas brincadeiras dá-nos consciência do "outro" e ensina-nos a perceber e a respeitar o próximo. Ensina-nos a fragilidade e torna-nos adultos mais conscientes.

Se vos interessar o tema recomendo esta entrevista, ao Prof. Carlos Neto  http://observador.pt/especiais/estamos-a-criar-criancas-totos-de-uma-imaturidade-inacreditavel/  . Leiam se puderem, é extensa, mas vale a pena, porque põe o dedo na ferida.
Aos avós, que dão cabo dos nervos dos pais com tantos cuidados e advertências, leiam por favor ...

Sim, é uma indirecta cá para casa =)






sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Ai, Mr Trump, mr Trump , nem sei o que lhe diga ....

Surpreendeu-me quando ainda fazia campanha a popularidade dos seus disparates, mas nunca imaginei que ganhasse as eleições ... O que antes eram disparates que preenchiam jornais, agora são preocupações reais e perigosas.

Fica a esperança que desiluda tantos os seus eleitores, como desiludiu Obama ... que falhe nas propostas eleitorais como falharam muitos outros ... afinal, a campanha é espectáculo, degradante por vezes, mas é espectáculo e o que se faz ou se diz, não é para levar muito a sério. Esta esperança ainda mantenho! Mesmo com maiorias, eles não governam sozinhos. Com os governos, governa toda uma elite financeira e um conjunto de interesses e lobbies muito poderosos. No meio desta gente toda, que alguém mantenha o bom senso!

Senhor da Cara cor de laranja, peço-lhe: não faça muitos disparates ...


terça-feira, 8 de novembro de 2016

check list

Quando fiquei desempregada,  criei o blog e esta foi uma das primeiras mensagens que publiquei, - entretanto apaguei todas as mensagens e comecei de novo.  Tratava-se de uma lista de prioridades, revi-a agora e deu uma enorme vontade de rir.
Quanta ingenuidade ... tanta ilusão!
Vou publicar na integra:



«
-  Prioridades:

 Fazer o CV - pelo menos actualiza-lo, melhora-lo ... dar-lhe um ar mais apelativo, para que as empresas pensem : "como foi que sobrevivemos sem ela?" - risota.

 Fazer uma pesquisa a ver como param as "modas". Quais as ofertas de emprego na minha área? Quais as empresas que interessam? Qual o nível de salários que estão a praticar?

3º Matricular-me num ginásio: já está escolhido, é só lá ir!

 Anular os ATL´s das crianças

  Aproveitar todo o tempo para estar com os meus meninos

 deixar de passar na pastelaria de manhã para beber o cafézinho e comer o bom do pastel de nata, ou do mil folhas, ou do jesuíta ... ou da bolinha de berlim ... esta raras vezes entra no repasto, mas está no top das preferencias ...

 Organizar a casa ... este item vai dar pano para mangas

 Começar a ler as (provavelmente) dezenas de livros que fui comprando, mas que nunca ouve tempo para os ler.

 Avançar como uma auto-formação em várias áreas.

10º Aproveitar para descansar a cabecinha e os neurónios trabalhadores.

Data limite para alcançar os objectivos: Final do ano, altura em que espero já estar novamente a trabalhar.

» 
Em minha defesa posso dizer que realizei todos os tópicos, excepto a data limite para alcançar os objectivos, era no final do ano, mas esqueci-me de dizer qual. Talvez seja este, nunca se sabe ...

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dona Isabel

Vivo neste prédio há muitos anos ... todos os casais que aqui vivem são da mesma geração e entre os mais novos e os mais velhos não haverá uma diferença de idades superior a uns dez anos: os mais novos devem andar pelos trinta e poucos e os mais velhos pelos quarenta e qualquer coisa.

-Bom dia dona Isabel!
- Não ... não, por favor não me chame dona !!...  Isabel, trate-me por Isabel!!

Foi assim nos primeiros tempos e continua assim, uns bons anos  depois. Já repeti o pedido vezes sem conta, já me cansei, já deixei de o fazer com tanta frequência e  já nem estranho muito o tratamento.

Agora devolve-lo é que é difícil !! Assim que quero dizer o "dona" a língua enrola-se no "D", os olhos começam a piscar no "O" e  no "N" já falta a respiração .... o "A" nunca chega a sair. É sempre um som estranho que sai da minha boca, quando digo o nome das senhoras cá do prédio.
Na  reunião de condomínio, é um rodopio de "donas" para aqui, "donas" para ali ... e eu a querer dizer alguma coisa ... e eu consciente da minha dificuldade, e o "dona" que não sai.

Se vos disser que entre estas "donas" já se confessaram tristezas e partilharam alegrias da vida de cada uma ... o "dona" ainda fica mais estranho ...



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Diário da horta

É um terreno razoavelmente grande com muitas e  diversificadas árvores de fruto, um furo de água e uma terra que não é de grande qualidade para a horta, mas dá-se um jeito.
Há já alguns anos, é de lá que vem grande parte dos legumes e frutos que consumimos, nem se tratava de uma questão económica, apesar de ultimamente reconhecer que faz alguma diferença no orçamento familiar. Produzir numa horta, nem sempre é tão economicamente viável como se pode imaginar ... há a conta da luz, porque para tirar água do furo é preciso uma bomba eléctrica, há a compra anual das sementes - temos algumas que guardamos de uns anos para os outros, mas as sementes novas que se compram são praticamente estéreis na segunda geração, pelo que não se podem aproveitar  para semear novamente. Há ainda a fertilização do terreno, neste caso é um terreno muito pobre, que precisa de cuidados especiais na fertilização e na forma como é cultivado; há o gasóleo, seguros e manutenção do tractor e ainda há sempre algum imprevisto. Não fossem os pais os mentores da horta e para nós não seria viável mantê-la, pelo menos com esta dimensão e variedade.

Mas sabe tão bem ir à horta!!



Molho de tomate

Nesta altura só os dióspiros têm fruto, pelo fresquinho da manhã apanhados e comidos na hora têm um sabor que nos enche o estômago e a alma. Tenho que comprar açúcar para fazer doce de dióspiro.

Começamos a apanhar as primeiras couves portuguesas, bróculos e feijão verde (segunda leva). Os tomates já acabaram, este ano a produção de tomate foi muito fraca aqui na horta, mesmo assim deu para fazer doce, molho de tomate que congelei aos cubos e este da foto que ficou em frascos, e ainda muito congelado inteiro.
As cebolas já estão encabadas ( cabos de cebolas feitos em trança) esperamos que à semelhança de anos anteriores cheguem para o ano inteiro.
As nozes também já foram apanhadas, mas ainda estão a secar, as da imagem são do ano passado.

O trabalho da horta nunca pára e a apanha da azeitona está para breve.
Também chegaram novos pintos à capoeira e morreram duas galinhas poedeiras, a produção de ovos está em baixa .

Em projecto temos idealizado um secador solar para a fruta, é enorme a quantidade de fruta que se estraga todos os anos, que desidratada poderá ser consumida fora da sua época de produção.

Este é o diário da horta, uma ajuda, ou uma terapia grátis para descontrair das ansiedades do quotidiano.  Por estes dias continua o envio de CVs, alguns entregues em mão por amigos, são esses que nos dão mais esperança. E viva o país das cunhas que sempre critiquei ...

P.S. Há dois anos escrevi este texto sobre a horta, já muita coisa mudou desde então.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Histórias maravilhosas que não se contam, porque fazem corar


O rapazinho apaixonado por B.D. , lê os livros como quem come pipocas, uns atrás dos outros. Lê-os várias vezes, muitas vezes e de todas ri à gargalhada. Volta atrás, volta a ler as partes mais cómicas, e ri novamente como se estivesse a ler pela primeira vez, depois corre com o livro na mão e lê para quem estiver por perto. As palavras cortadas pelas gargalhadas fazem com que pouco se perceba. Mas ele diverte-se!

Quando era mais pequeno, perguntavam-lhe:
- Livro?
- Não, carrinho!! - dizia carregando e arrastando os Rs.
Parecia que não vinha a ser um grande leitor.

Engano, encantou-se com B.D.

Entretanto, quiseram dar-lhe outro tipo de livros:
- Não, tem demasiadas letras e poucos bonecos!
 - Está bem ...

Mas no aniversário deram-lhe um livro do tipo calhamaço - Illuminae - que leu numa semana. Estava na hora e como quem não quer a coisa, veio da biblioteca o livro " A história de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar". Leu o livro de uma só vez, e quando pensavam que já estava na cama, entrou na sala com olhos chorosos e o livro na mão.
- Já li ...
- O que se passa?
- Eu não sei como acaba o livro ....

As lágrimas soltaram-se e o rapazinho que adora jogar, jogos malucos e violentos, onde se mata e se rouba, onde não existe moral  que vê filmes que  tirariam o sono a muitos adultos, chora como uma Madalena arrependida porque não sabe se o gato voltou a ver a gaivota.

- Como é que eu sei se a gaivota não voou para longe e o gato nunca mais a viu? O livro não diz ...
As palavras são ditas com dificuldade e cortadas por soluços difíceis de controlar ...

Ora, quem diria ...




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Duas aventesmas aqui em casa

Não escrevo muito no blog, senão seria sempre a mesma conversa e o que é demais enjoa ... cansa!

Hoje estou em dia não, baralham-se-me os circuitos neurológicos ver-nos aos dois aqui em casa, a andar de um lado para o outro como duas almas penadas sem um objectivo na vida. Já nem lhe pergunto se enviou algum CV, se viu alguma proposta de emprego interessante, ou se teve alguma ideia, sei qual seria a resposta! Provavelmente até viu qualquer coisa, provavelmente até enviou o CV, mas,  e daí?  Nada de novo! Eu  fiz a minha pesquisa, hoje não enviei CVs, mas enviei ontem e anteontem e no outro dia.  Não há repostas, acredito que os quarentas já entrados, alguns anos sem trabalho e a procura de trabalho qualificado, os assuste!

Quando fiquei desempregada enviei - não quero mentir - mas acho que mais de uma centena de CVs, fui a muitas entrevistas, cheguei a ouvir sins para projectos que entretanto foram cancelados.

Estávamos em plena troika, o marido tinha um emprego que dava segurança, e eu concluí que não conseguia voltar a ter um emprego como o de antes, assim, mais valia ficar em casa a tomar conta dos filhos. Este ano a empresa do marido fechou e eu paguei caro uma decisão que parecia certa noutros tempos, mas muito perigosa por estes dias.  Parece que já deixei passar o meu tempo, parece que já não tenho lugar nestes tempos, já nem me chamam para entrevistas.

Amanhã vou ver como me posso inscrever nuns cursos que quero fazer ... tento todos os dias inventar coisas que me agarrem aqui ao meu espaço, mas sei que vou ter que largar tudo e ir para fora. Sei que vou ter que deixar os pais, quando eles começam a precisar de mim; sei que vou arrancar os meus filhos do seu conforto e sem rede nem corda de segurança, ir para um mundo que nos é desconhecido, que me assusta. Muitos colegas já foram, e provavelmente também nós iremos ... mas não quero, não quero mesmo!!

Tenho que escrever mais no blog, exorciza-me os maus pensamentos e ao escrever o titulo do post até dei uma gargalhada.


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Centro de emprego, desta vez foi diferente

 
  Era uma sala cheia de gente, não conhecia ninguém ... e aqui num aparte, acho que deveria ter estudado sociologia, estaria desempregada na mesma e pelo menos seria um curso que me teria dado muito prazer tirar ... fiquei no meu canto, encantada a observar as "gentes". Outro aparte, observar não é coscuvilhar, esclarecido este ponto que me parece de importância vital, para que não fiquem com más impressões minhas, continuei encantada pelas várias reacções, pelas várias emoções que as expressões faciais demonstravam; havia os desencorajados que diziam mal da vida, que perderam as esperanças, que já tinham testado o sistema, que que sabem que funciona mal ... muito mal. Havia os esperançosos, desempregados há pouco tempo ... e que acreditam que é apenas uma fase e alguma coisa vai acontecer  e os reencontros: sim! os que trabalharam na mesma empresa e que depois de muito tempo sem se verem, reencontram-se na sala do centro de emprego. Foi uma felicidade no meio de muita desesperança, saber dos filhos, da vida do que se tem feito. Pertinho de mim, quase no mesmo canto, dois conhecidos, aconselhavam-se mutuamente em estratégias de alcançar a reforma próxima ... faziam contas aos anos de trabalho, às penalizações das reformas antecipadas, definiam planos e traçavam objectivos - os possíveis dadas as circunstâncias
   Já sentados, alguém se queixou de ser demasiado qualificada, enfatizando parte do percurso profissional, não consegui disfarçar o sorriso que foi ligeiramente sonoro e fez o vizinho do lado voltar a cabeça na minha direcção - amiga, para ganhar 500 euros, somos todos demasiados qualificados - não disse, mas pensei. Normalmente as audiências são heterogéneas, desde a 4ª classe até à licenciatura, este tipo de comentários faz voltar a cabeça para ver quem é o dr.  Nesta reunião surtiu pouco efeito, a maior parte eram licenciados, ninguém voltou a cabeça, eu sorri, provavelmente outros também. Aposto que está desempregada à pouco tempo, ainda sente necessidade de explicar que não merece o que lhe aconteceu, que era boa profissional, que ainda pensa que o desemprego prolongado é coisa de preguiçosos de gente com poucas "vontades". que quer acreditar que é diferente, que não pertence aquele mundo. Também passei por essa fase, mas o tempo cura-nos as manias todas ... 

    E foi assim o dia de responder à convocatória para ir ao Centro de Emprego. Durante todo este tempo, já foram várias as cartas que recebi, com o tempo deixei de lhes dar crédito e só vou para que não me cortem a inscrição, porque o subsídio já acabou há que tempos. Mas desta vez e contra todas e quaisquer expectativas, foi interessante. Não vim com um emprego de lá, mas isso de conseguir emprego não é tarefa que alguém faça por nós ... só se tivermos sorte, mas não me parece algo fácil de acontecer.  

   Fomos a uma sessão de esclarecimento sobre os vários apoios e programas que existem para auxiliar a procura de emprego, eu já entrei na fase "negativa" por isso sei que a maior parte não funciona, mas houve um ou outro que me deixou curiosa. Por exemplo se alguém tiver um projecto que ache viável mas não avance com ele, porque simplesmente não sabe por onde começar, há entidades oficiais que ajudam no arranque, que aconselham, que informam as questões legais e até auxiliam no financiamento. É o gabinete de apoio ao empreendedorismo e está ligado ao centro de emprego e às Câmaras Municipais - nesta autarquia
   Fiquei a pensar no assunto e de certeza que vou voltar com algumas questões e para pedir alguns conselhos, a quem sabe disto mais do que eu e até me possa mostrar um prisma diferente daquele que a minha visão consegue alcançar neste momento. 
  É que a minha visão anda turva, não consegue ver o horizonte muito brilhante ...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Dias sem nada de jeito para escrever no blogue

Hoje foi dia de exames! A palavra exames é um aparato para o que foram apenas provas de aferição sem valor na nota.

Mas os pequenos ficam sempre nervosos, eu acho que lhes faz bem, cria resistência à adrenalina que outros exames mais importantes irão causar pela vida fora, por outro lado faz pena vê-los tão pequenos e tão frágeis perante tamanha e dolorosa tarefa. Cá de casa foram dois, o mais novo e o mais velho. O mais novo, muito inseguro, mas ainda sem a noção da responsabilidade do que será fazer um exame. O mais velho, já com a experiência dos exames do ano passado, que lhe correram muito bem, com boas notas, vai seguro e só um bocadinho nervoso. Já falamos depois da prova e à pergunta - como correu? - a reposta foi "per-fei-to!" O mais novo, ainda pequenote, vai na boa, sem nervos nem preocupações ou responsabilidades.

Eu, continuo a tentar descobrir o meu Plano B, para já dediquei o dia a actualizar o curriculum, mas sem ter mais nada para lhe acrescentar, acabei por simplifica-lo e tirar algumas competências para o tornar mais generalista em vez de muito vocacionado para uma área. Não é tarefa fácil, conseguir um emprego depois de alguns anos em casa, mas tarefa ainda mais difícil é ficar em casa sem reagir ao que nos aconteceu.

Há dias de medo e há dias de optimismo ... hoje é um misto desses dois, valha-nos o optimismo do marido!!





terça-feira, 31 de maio de 2016

Plano B

Parece que foi a semana passada que criei este blog, parece que ainda ontem escrevia por aqui, no entanto já passou mais de um ano desde o último post. Não vou falar do tempo que passa a correr, não vou falar do mal/bem que ele nos faz, mas, hoje e depois de uma noite mal dormida, apeteceu-me voltar à blogosfera. E aqui estou, espero que ainda se lembrem de mim :)

E agora somos dois!
Antes era só eu, desempregada!
E se para mim o desemprego começou por ser um contratempo, acabou por ser uma opção quando verifiquei que já não voltaria a ter outro emprego com as condições do que perdera. E do mau se fez bom, a vida mudou muito, não necessariamente para pior. Passamos a ter mais tempo, para nós e para as crianças . Vi-os crescer e foi tão bom! Cada sorriso, cada ida ao parque, cada descoberta era o meu ordenado ao fim do mês. Foi tão bom, fui mãe a tempo inteiro.
   
As vezes sentia-me só, todos trabalhavam, as crianças na escola e não havia ninguém com quem partilhar tanto tempo livre. Criei um blog ...escrevi muitos textos e apaguei-os todos por serem demasiados intímos . De repente, quando a vida se equilibrou e parecia que ia ser assim para sempre e ia ser bom, a cara-metade perdeu o emprego. Voltamos ao inicio, voltamos à casa de partida, ao ponto onde nunca estivemos.
Talvez amanhã apague este texto por ser demasiado íntimo, mas hoje é um grito que precisa de sair em silêncio é o cair para levantar, porque amanhã começa o meu plano B que ainda não foi pensado, nem definido, mas que há-de existir algures.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Coisas que os miúdos dizem e que nos fazem corar de vergonha ...

Esta semana fomos ao hospital para uma consulta de rotina, a médica queria ver-lhe o nariz e com o dedo pressionou a ponta do nariz  para cima e apontou a luz da lanterna lá para dentro ...

- Estou a magoar-te? - perguntou
Não!!! o meu nariz já está habituado ao meu dedo, para tirar os macacos lá de dentro ...

...
Sou mãe! Tenho tesouros imensos ... momentos de ternura ... momentos de aflição ....momentos de mãe!
Guardo todos os tesouros de mãe, cá dentro e prometo nunca me esquecer de cada palavra, de cada momento, de cada gesto ... mas o tempo passa e o que parecia tão profundo e eterno, fica desvanecido e perdido na minha memória. Sei que já ri de muito disparate ... mas quando uma professora pediu um trabalho de casa sobre uma situação engraçada ... fiquei bloqueada e tomei consciência de que a memória apagou algumas coisas ... confundiu outras ... fiquei triste!
Como pode uma mãe esquecer alguns momentos ?!?! ...

Este é um desses momentos: já me fez corar ... depois rir muito .... mas  é possível que daqui a algum tempo a memória o apague, afinal não é significativo para a vida de ninguém, mas é um tesourinho ... :)


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Amigos ....

Talvez "amigos" seja muito forte, talvez fossem apenas colegas, mas fora-no durante anos. Foram pessoas com as quais fui partilhando alguns momentos da minha vida, preocupações, felicidades ou simples banalidades para fazer conversa. Mas à hora do cafézinho lá estavamos todos para dois dedos de conversa, uns falavam dos filhos, outros diziam mal dos chefes, mas todos tinham alguma coisa para dizer e todos, alguma curiosidade para ouvir o que era dito. Eram os "amigos" do emprego, aqueles que raramente vêm cá a casa, ou que nunca vieram, aqueles que não nos fazem companhia numa saída de domingo à tarde, mas que ouvem o relato do que se passou na segunda de manhã. Conhecem a nossa vida, partilha-mos com eles um bocadinho de nós, mas quando nos referimos a eles chamamos-lhes de "colegas". É claro que há os colegas, apenas colegas, e há os colegas amigos.
Mas o que lhes aconteceu?

Acho que os colegas amigos são uma espécie que pertence ao emprego, quando se perde o emprego, perdem-se também estes colegas amigos. Tenho saudades dos nossos almoços, das nossas conversas, das nossas cumplicidades ... tenho saudades de alguns colegas em particular, talvez porque me sinta sózinha ... não sei ...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Surpresas ...

Quem resiste ao sol?
Quem resiste a uns dias quentes, bem quentinhos, que vieram intrometer-se nos dias chuvosos e desagradáveis de um outono que promete anteceder um inverno bem rigoso?
Quem?!?!?! ... eu não!!!

E como é que não me tinha lembrado disto antes?
Faltavam apenas uns minutinhos para a hora de saída, o suficiente para chegar à escola e trazê-los ... quando fui à janela e não consegui abrir os olhos ... o sol não deixou ....
Ah!! num pulo meti umas toalhas, calções de banho e afins num saco, um lanchinho rápido também  lá foi parar, vesti-me e lá vou eu ... parei na escola ... e agarrei nos miúdos ... 
Aguarda-nos belo dia de Outubro ... dia de sol e praia, que nós vamos ter contigo. E fomos!! E divertimo-nos!! Tomaram um grande banho nas águas geladas, eu só molhei os pés ... brincaram ... rebolaram na areia ... até o sol se ir embora ... e ainda apetecia ficar mais. Mas não podiamos já era muito tarde e ainda havia trabalhos de casa para fazer, banhos para tomar e a carne para o jantar ainda estava congelada :) O regresso era obrigatório.

-Só mais um bocadinho ... só um gelado ...
- Não pode ser, temos que ir para casa ...

E haviam de ver a cara de espanto do pai, quando nos viu chegar a casa, cabelos ainda molhados, cheios de areia ... numa confusão de palavras entusiasmadas de um dia inesperado de praia .
E se a foto parece escura, é porque a tarde já ia adiantada ...





terça-feira, 21 de outubro de 2014

Eu e a minha mãe ... a minha mãe e a minha avó ...

Desciamos a rua a correr, eu e a minha mãe ... ela à frente, eu logo atrás, bem coladinha a ela. Ela chegava sempre primeiro ... ria-se de sorriso aberto ... eu amuava ... mas sem saber como, acabava também a rir!

A minha avó tinha galinhas, tinha uma horta grande e cozia o pão num forno a lenha. Viviam num mundo rural, mas sem grandes dificuldades ... faziam férias, a dispensa estava sempre cheia e eram eles - os avós - quem nos comprava os brinquedos mais caros. A minha mãe não trabalhava fora, cuidava de nós a tempo inteiro, geria a casa ... jurava que nunca havia de matar uma galinha, comprava o pão na padaria e não percebia muito de hortas.

A minha avó morreu precocemente ... e a minha mãe matou as galinhas. Lembro-me  da preocupação que tinha - corto-lhe o pescoço com um machado e depois fujo para não ver a galinha morrer - dizia ela, confiante na decisão, mas menos na execução ...

Sentiu diferença no sabor das couves e alfaces compradas na loja, decidiu fazer um canteiro ou dois, com umas nabiças e alguma salsa ... depressa cresceu para uma horta do tamanho daquela, que a minha avó tinha ... Há uns anos atras, ofereci-lhe uma máquina de fazer pão ... sentiu o cheiro do pão fresco e a saudade de tempos antigos do pão feito em casa. Recuperou a tradição, aprendeu a amassar o pão, a aquecer o forno ... adquiriu técnicas próprias, que agora já partilha com mestria ... 
A minha mãe tem sempre aquele sorriso no rosto ... um sorriso aberto ... não fala de doenças, parece-nos sempre bem ... e eterna !!

Da sua horta, trago para casa quase tudo, menos as cenouras que não se dão naquele terreno ... do seu galinheiro, trago os ovos e a carne saborosa dos frangos ... também trago peixe ... isso ainda não percebi de onde vem ... :)

Eu, depois do desemprego, cuido da casa e dos meus filhos a tempo inteiro ... não sinto coragem para matar uma galinha ... e da horta, não percebo muito ... quanto ao pão, quando não tenho o da mãe, faço na máquina, porque não me entendo com o forno a lenha ...

Há semanas a minha mãe estava doente, sempre com aquele sorriso no rosto, sem queixas nem lamentos, de conversa fácil e amável, ninguém diria que estava doente ... só a necessidade de "fechar um bocadinho os olhos, porque a cabeça não está bem" e um arrastar no andar lhe traíam o disfarce. -"Está bem? ... estou, estou ... isto já passa, só preciso de me sentar um bocadinho" Mas nunca por muito tempo  "- Se o corpo se habitua ao descanço, não quer outra coisa e depois está sempre doente "- diz com um misto de ironia e convicção.

Há dias a minha mãe voltou a estar doente ...ela que nunca estava doente,  reparei como envelheceu, já não fazemos corridas a descer a rua, mas o sorriso fácil continua ... e o brilho no olhar também ...
- Está melhor? 
- Estou ...foi só uma virose ...

Sinto-me impotente ... sei que por tras daquele riso contagiante, está um riso cansado ... mas não o consigo quantificar, pois o brilho no seu olhar ofusca-me a visão ... Regresso a casa de coração apertado e com um nó na gartanta, sempre com a ideia disparatada de que havia de "aprender" a matar uma galinha ... que havia de comprar uns botins de borracha e ir para a horta ... que havia de aprender a conhecer o lastro do forno a lenha ... mas não quero ... mas sei que devia ...
- Até para a semana!! - digo-lhe - para a semana, sou eu quem amassa o pão!! - já o disse mil vezes, e mil vezes já ela se riu ... porque há tarefas que são das mães ... e as mães são eternas.

- Hoje para o jantar é frango da avó! - comento com os meu filhos ...
- É ela quem mata as galinhas, mãe?
- Claro!!
- Que noooojo!!!
Aposto que também eles nunca vão matar uma galinha, ter uma horta ... ou amassar o pão! Aposto, mas não tenho a certeza de ganhar a aposta ...



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

E vem aí um bebé!!

A família vai aumentar!
Não por este meu ramo da árvore, mas por um bem próximo ... uns cunhados bem doidos ... :)  que se lembraram de já quase a entrar nos quarentas arranjarem mais um bebé ... o terceiro ... :) melhor a terceira menina da prole ... E estão satisfeitos, felizes e de sorriso de orelha a orelha ... e eu também, porque não pensaria voltar a ter tão depressa, um bebé nos braços... e a data de nascimento quase que coincide com o dia de anos desta tia babada.  Estão tão felizes eles ... e eu também que até fui com a mamã fazer a ecografia morfológia, e contamos os dedinhos ... vimos os pézinhos, bracinhos e todos os inhos que há para ver nesta fase e que me trouxe tão boas recordações ... e que me obrigou a disfarçar uma lágrima chata que não saia do conto do olho.
"São loucos" diz toda a gente, já têm duas filhas ... uma delas quase adulta ... nestes tempos tão complicados ... são loucos!!
Pois são!! - digo eu - loucos e felizes!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Convocatória para ação de formação do Centro de Emprego - não vale gozar!

É isso mesmo, ao fim de muito tempo inscrita no Centro de emprego,  deram notícias, e convocaram-me para uma ação de formação que,  por entre ameaças do que faziam acontecer se eu me recusasse a participar na ação, lá diziam a data da mesma ... e eu fui, tentando acalmar alguma expectativa que por  momentos me fizesse brilhar os olhos - ainda tenho dentro de mim, alguma inocência ...

Fomos "recebidos" por um psicólogo ... estava com pressa ... disse-o várias vezes, apressou-nos :  ..."não me vou despachar a tempo" ... "vamos ... depressa" .
O grupo de formandos era constituido essencialmente por licenciados, mestres e doutorados, pelo que o psicólogo afirmou ... "é um bom grupo, acho que nos vamos despachar depressa" mas por via das dúvidas lá foi explicando que o nome se colocava à frente da palavra  NOME ... e que o NIF era o contribuinte. E para que não houvessem dúvidas, mesmo nenhumas, esclareceu onde colocar a morada ... logo a seguir à palavra "morada".
Assim, devidamente esclarecidos, nós, licenciados, mestres e doutores ... lá preenchemos a ficha ... depressa ...
Falou-se por alto dos cursos e passo a mencionar os nomes, apenas os nomes, porque mesmo que queira ajudar quem por ventura, se venha a encontrar nas mesmas condições que eu, com uma explicação do que trata cada uma das formações, não consigo, porque não faço ideia ...Assim os nomes das formações são: - Desenvolvimento Pessoal e técnicas de procura de emprego; Competências empreendedoras e Técnicas de procura de emprego; Comunicação assertiva e Técnicas de procura de emprego. 
Qual escolheriam?
... pois, eu também não sei ...

Havia na sala quem já tivesse a feito a "formação"  ... "então assine e vá-se embora" elucidou o psicólogo ... "então para que me chamaram?" .... a pergunta é pertinente, mas desnecessária ... então não se está a ver mesmo, porque foi chamado? ... Porque andamos todos perdidos sem rei nem roque e sem saber o que andamos a fazer ..."Eu" - dizia alguém - "fui directora de Recursos Humanos, pelo que isto, não faz qualquer sentido para mim!"  ... Pois amiga, mas vais fazer a formação na mesma, mesmo que saibas mais do que os formadores, isto se quiseres continuar inscrita no Centro de Emprego. Ninguém o disse ... mas aposto que foi o pensamento colectivo.

Mas nem tudo é mau ... estou a ironizar, é mesmo tudo mau ...  vamos receber dinheiro!!  pelos meus calculos uns 75 euros cada pessoa ... agora juntemos a este valor o custo dos formadores, das infra-estruturas que nos vão acolher e temos uma pipa de massa que o estado semi-insolvente vai gastar! É um projecto sem projecto ... não vai ajudar ninguém ... não vai resolver nada ... mas vai gastar o pouco dinheiro que temos ... e o muito que o cidadão pagador de impostos deixa nos cofres do estado todos os meses ...todos os dias ...

Num último esforço para aceitar e tirar o melhor proveito do que me estavam a "oferecer" ainda perguntei ... "escolhi esta formação, mas não sei se é a melhor para a minha situação ... o que acha?"  ... um abanar de mão, com o olhar preso numa folha de papel e um "qualquer coisa" que saiu num sussurro quase inaudível, foi a resposta do psicólogo que estava ali para "orientar carreiras" e a ser pago pelo estado, a ser pago por todos nós, inclusivé por mim que também pago impostos.

Acho que perante tudo o que se passou, impotência é a palavra que me ocorre ... estamos presos num sistema disfuncional, com gente pateta a geri-lo e que nos obriga a entrar e a colaborar na patetice.
Pelo menos o psicólogo podia ter ser cordial  ... mas estava com pressa ....

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Outubro

Outubro!!
Já é Outubro! As férias já passaram ... e foram boas ... muito boas!!
Fomos à praia: muitas vezes, tantas que lhes perdemos a conta, a verdade é que não fomos muito longe...  a praia de sempre, fica perto e em conta para o bolso familiar...
Fomos a museus, gostaram de uns ... de outros nem tanto ... ficou-lhes no coração o Museu da Lourinhã, viram ossos de dinossauros de verdade e até pegaram num! Tivemos muito sorte, uma guia fantástica que cativou e encantou os mais pequenos e os maiores também ...
Fizemos campismo: duas vezes; uma na praia, outra no campo ... Fizemos uma espécie de turismo cultural dos pobres ... fomos para o norte do país, montamos a base num parque de campismo e visitamos tudo o que havia nos arredores ... vimos castelos em ruínas - muitos castelos - visitamos aldeias e cidades, conhecemos gente simpática ... mas tão simpática, que sem nos conhecerem, nos mostraram os tesouros da sua terra ... também nos cruzamos com outros menos simpáticos  ...
Subimos a montanhas e vimos paisagens a perder de vista ... vistas que na altura desejei guardar para sempre, mas a memória vai desvanecendo o que o olhar tão intensamente guardou ...
As crianças fizeram novos amigos ... promessas de continuar amizades no facebook, mas eles são tão pequenos para terem facebook ...
Visitamos uma Lisboa engolida pelos turistas, subimos o arco da Rua Augusta, vimos a renovada Ribeira das Naus e fomos ao mercado da Ribeira ...
Fizemos bolos ... fizemos jogos ... deixamos passar dias de pasmaceira e enfado ...
Chateei-me por tanto disparate, tentando impor a ordem e  regras ...
Cheguei ao fim das férias cansada ... desejando o inicio das aulas! Chegou o início das aulas e eu senti-me só numa casa imensa de silêncios.
Se o desemprego tem algo de bom é o tempo vago para ver os filhos crescerem ... e eles crescem tão depressa ...



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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Como quem não quer a coisa ... estou de volta!

Sem mais nem menos, abandonei o blogue ! Sem desculpas, nem justificações ... apenas porque sim! Porque na vida tudo tem que fazer sentido, não importa se é importante ou simples, apenas tem que fazer sentido!

E sem desculpas, nem justificações: aqui estou de volta, apenas porque sim ... porque agora já faz sentido, porque agora apetece estar de volta ...

Apaguei todas as mensagens antigas ... estavam cheias de lamentos ... pelo menos ao reler textos antigos, pareceu-me que sim,

Estou de volta, e estou contente por isso! ...