sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Surpresas ...

Quem resiste ao sol?
Quem resiste a uns dias quentes, bem quentinhos, que vieram intrometer-se nos dias chuvosos e desagradáveis de um outono que promete anteceder um inverno bem rigoso?
Quem?!?!?! ... eu não!!!

E como é que não me tinha lembrado disto antes?
Faltavam apenas uns minutinhos para a hora de saída, o suficiente para chegar à escola e trazê-los ... quando fui à janela e não consegui abrir os olhos ... o sol não deixou ....
Ah!! num pulo meti umas toalhas, calções de banho e afins num saco, um lanchinho rápido também  lá foi parar, vesti-me e lá vou eu ... parei na escola ... e agarrei nos miúdos ... 
Aguarda-nos belo dia de Outubro ... dia de sol e praia, que nós vamos ter contigo. E fomos!! E divertimo-nos!! Tomaram um grande banho nas águas geladas, eu só molhei os pés ... brincaram ... rebolaram na areia ... até o sol se ir embora ... e ainda apetecia ficar mais. Mas não podiamos já era muito tarde e ainda havia trabalhos de casa para fazer, banhos para tomar e a carne para o jantar ainda estava congelada :) O regresso era obrigatório.

-Só mais um bocadinho ... só um gelado ...
- Não pode ser, temos que ir para casa ...

E haviam de ver a cara de espanto do pai, quando nos viu chegar a casa, cabelos ainda molhados, cheios de areia ... numa confusão de palavras entusiasmadas de um dia inesperado de praia .
E se a foto parece escura, é porque a tarde já ia adiantada ...





terça-feira, 21 de outubro de 2014

Eu e a minha mãe ... a minha mãe e a minha avó ...

Desciamos a rua a correr, eu e a minha mãe ... ela à frente, eu logo atrás, bem coladinha a ela. Ela chegava sempre primeiro ... ria-se de sorriso aberto ... eu amuava ... mas sem saber como, acabava também a rir!

A minha avó tinha galinhas, tinha uma horta grande e cozia o pão num forno a lenha. Viviam num mundo rural, mas sem grandes dificuldades ... faziam férias, a dispensa estava sempre cheia e eram eles - os avós - quem nos comprava os brinquedos mais caros. A minha mãe não trabalhava fora, cuidava de nós a tempo inteiro, geria a casa ... jurava que nunca havia de matar uma galinha, comprava o pão na padaria e não percebia muito de hortas.

A minha avó morreu precocemente ... e a minha mãe matou as galinhas. Lembro-me  da preocupação que tinha - corto-lhe o pescoço com um machado e depois fujo para não ver a galinha morrer - dizia ela, confiante na decisão, mas menos na execução ...

Sentiu diferença no sabor das couves e alfaces compradas na loja, decidiu fazer um canteiro ou dois, com umas nabiças e alguma salsa ... depressa cresceu para uma horta do tamanho daquela, que a minha avó tinha ... Há uns anos atras, ofereci-lhe uma máquina de fazer pão ... sentiu o cheiro do pão fresco e a saudade de tempos antigos do pão feito em casa. Recuperou a tradição, aprendeu a amassar o pão, a aquecer o forno ... adquiriu técnicas próprias, que agora já partilha com mestria ... 
A minha mãe tem sempre aquele sorriso no rosto ... um sorriso aberto ... não fala de doenças, parece-nos sempre bem ... e eterna !!

Da sua horta, trago para casa quase tudo, menos as cenouras que não se dão naquele terreno ... do seu galinheiro, trago os ovos e a carne saborosa dos frangos ... também trago peixe ... isso ainda não percebi de onde vem ... :)

Eu, depois do desemprego, cuido da casa e dos meus filhos a tempo inteiro ... não sinto coragem para matar uma galinha ... e da horta, não percebo muito ... quanto ao pão, quando não tenho o da mãe, faço na máquina, porque não me entendo com o forno a lenha ...

Há semanas a minha mãe estava doente, sempre com aquele sorriso no rosto, sem queixas nem lamentos, de conversa fácil e amável, ninguém diria que estava doente ... só a necessidade de "fechar um bocadinho os olhos, porque a cabeça não está bem" e um arrastar no andar lhe traíam o disfarce. -"Está bem? ... estou, estou ... isto já passa, só preciso de me sentar um bocadinho" Mas nunca por muito tempo  "- Se o corpo se habitua ao descanço, não quer outra coisa e depois está sempre doente "- diz com um misto de ironia e convicção.

Há dias a minha mãe voltou a estar doente ...ela que nunca estava doente,  reparei como envelheceu, já não fazemos corridas a descer a rua, mas o sorriso fácil continua ... e o brilho no olhar também ...
- Está melhor? 
- Estou ...foi só uma virose ...

Sinto-me impotente ... sei que por tras daquele riso contagiante, está um riso cansado ... mas não o consigo quantificar, pois o brilho no seu olhar ofusca-me a visão ... Regresso a casa de coração apertado e com um nó na gartanta, sempre com a ideia disparatada de que havia de "aprender" a matar uma galinha ... que havia de comprar uns botins de borracha e ir para a horta ... que havia de aprender a conhecer o lastro do forno a lenha ... mas não quero ... mas sei que devia ...
- Até para a semana!! - digo-lhe - para a semana, sou eu quem amassa o pão!! - já o disse mil vezes, e mil vezes já ela se riu ... porque há tarefas que são das mães ... e as mães são eternas.

- Hoje para o jantar é frango da avó! - comento com os meu filhos ...
- É ela quem mata as galinhas, mãe?
- Claro!!
- Que noooojo!!!
Aposto que também eles nunca vão matar uma galinha, ter uma horta ... ou amassar o pão! Aposto, mas não tenho a certeza de ganhar a aposta ...



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

E vem aí um bebé!!

A família vai aumentar!
Não por este meu ramo da árvore, mas por um bem próximo ... uns cunhados bem doidos ... :)  que se lembraram de já quase a entrar nos quarentas arranjarem mais um bebé ... o terceiro ... :) melhor a terceira menina da prole ... E estão satisfeitos, felizes e de sorriso de orelha a orelha ... e eu também, porque não pensaria voltar a ter tão depressa, um bebé nos braços... e a data de nascimento quase que coincide com o dia de anos desta tia babada.  Estão tão felizes eles ... e eu também que até fui com a mamã fazer a ecografia morfológia, e contamos os dedinhos ... vimos os pézinhos, bracinhos e todos os inhos que há para ver nesta fase e que me trouxe tão boas recordações ... e que me obrigou a disfarçar uma lágrima chata que não saia do conto do olho.
"São loucos" diz toda a gente, já têm duas filhas ... uma delas quase adulta ... nestes tempos tão complicados ... são loucos!!
Pois são!! - digo eu - loucos e felizes!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Convocatória para ação de formação do Centro de Emprego - não vale gozar!

É isso mesmo, ao fim de muito tempo inscrita no Centro de emprego,  deram notícias, e convocaram-me para uma ação de formação que,  por entre ameaças do que faziam acontecer se eu me recusasse a participar na ação, lá diziam a data da mesma ... e eu fui, tentando acalmar alguma expectativa que por  momentos me fizesse brilhar os olhos - ainda tenho dentro de mim, alguma inocência ...

Fomos "recebidos" por um psicólogo ... estava com pressa ... disse-o várias vezes, apressou-nos :  ..."não me vou despachar a tempo" ... "vamos ... depressa" .
O grupo de formandos era constituido essencialmente por licenciados, mestres e doutorados, pelo que o psicólogo afirmou ... "é um bom grupo, acho que nos vamos despachar depressa" mas por via das dúvidas lá foi explicando que o nome se colocava à frente da palavra  NOME ... e que o NIF era o contribuinte. E para que não houvessem dúvidas, mesmo nenhumas, esclareceu onde colocar a morada ... logo a seguir à palavra "morada".
Assim, devidamente esclarecidos, nós, licenciados, mestres e doutores ... lá preenchemos a ficha ... depressa ...
Falou-se por alto dos cursos e passo a mencionar os nomes, apenas os nomes, porque mesmo que queira ajudar quem por ventura, se venha a encontrar nas mesmas condições que eu, com uma explicação do que trata cada uma das formações, não consigo, porque não faço ideia ...Assim os nomes das formações são: - Desenvolvimento Pessoal e técnicas de procura de emprego; Competências empreendedoras e Técnicas de procura de emprego; Comunicação assertiva e Técnicas de procura de emprego. 
Qual escolheriam?
... pois, eu também não sei ...

Havia na sala quem já tivesse a feito a "formação"  ... "então assine e vá-se embora" elucidou o psicólogo ... "então para que me chamaram?" .... a pergunta é pertinente, mas desnecessária ... então não se está a ver mesmo, porque foi chamado? ... Porque andamos todos perdidos sem rei nem roque e sem saber o que andamos a fazer ..."Eu" - dizia alguém - "fui directora de Recursos Humanos, pelo que isto, não faz qualquer sentido para mim!"  ... Pois amiga, mas vais fazer a formação na mesma, mesmo que saibas mais do que os formadores, isto se quiseres continuar inscrita no Centro de Emprego. Ninguém o disse ... mas aposto que foi o pensamento colectivo.

Mas nem tudo é mau ... estou a ironizar, é mesmo tudo mau ...  vamos receber dinheiro!!  pelos meus calculos uns 75 euros cada pessoa ... agora juntemos a este valor o custo dos formadores, das infra-estruturas que nos vão acolher e temos uma pipa de massa que o estado semi-insolvente vai gastar! É um projecto sem projecto ... não vai ajudar ninguém ... não vai resolver nada ... mas vai gastar o pouco dinheiro que temos ... e o muito que o cidadão pagador de impostos deixa nos cofres do estado todos os meses ...todos os dias ...

Num último esforço para aceitar e tirar o melhor proveito do que me estavam a "oferecer" ainda perguntei ... "escolhi esta formação, mas não sei se é a melhor para a minha situação ... o que acha?"  ... um abanar de mão, com o olhar preso numa folha de papel e um "qualquer coisa" que saiu num sussurro quase inaudível, foi a resposta do psicólogo que estava ali para "orientar carreiras" e a ser pago pelo estado, a ser pago por todos nós, inclusivé por mim que também pago impostos.

Acho que perante tudo o que se passou, impotência é a palavra que me ocorre ... estamos presos num sistema disfuncional, com gente pateta a geri-lo e que nos obriga a entrar e a colaborar na patetice.
Pelo menos o psicólogo podia ter ser cordial  ... mas estava com pressa ....

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Outubro

Outubro!!
Já é Outubro! As férias já passaram ... e foram boas ... muito boas!!
Fomos à praia: muitas vezes, tantas que lhes perdemos a conta, a verdade é que não fomos muito longe...  a praia de sempre, fica perto e em conta para o bolso familiar...
Fomos a museus, gostaram de uns ... de outros nem tanto ... ficou-lhes no coração o Museu da Lourinhã, viram ossos de dinossauros de verdade e até pegaram num! Tivemos muito sorte, uma guia fantástica que cativou e encantou os mais pequenos e os maiores também ...
Fizemos campismo: duas vezes; uma na praia, outra no campo ... Fizemos uma espécie de turismo cultural dos pobres ... fomos para o norte do país, montamos a base num parque de campismo e visitamos tudo o que havia nos arredores ... vimos castelos em ruínas - muitos castelos - visitamos aldeias e cidades, conhecemos gente simpática ... mas tão simpática, que sem nos conhecerem, nos mostraram os tesouros da sua terra ... também nos cruzamos com outros menos simpáticos  ...
Subimos a montanhas e vimos paisagens a perder de vista ... vistas que na altura desejei guardar para sempre, mas a memória vai desvanecendo o que o olhar tão intensamente guardou ...
As crianças fizeram novos amigos ... promessas de continuar amizades no facebook, mas eles são tão pequenos para terem facebook ...
Visitamos uma Lisboa engolida pelos turistas, subimos o arco da Rua Augusta, vimos a renovada Ribeira das Naus e fomos ao mercado da Ribeira ...
Fizemos bolos ... fizemos jogos ... deixamos passar dias de pasmaceira e enfado ...
Chateei-me por tanto disparate, tentando impor a ordem e  regras ...
Cheguei ao fim das férias cansada ... desejando o inicio das aulas! Chegou o início das aulas e eu senti-me só numa casa imensa de silêncios.
Se o desemprego tem algo de bom é o tempo vago para ver os filhos crescerem ... e eles crescem tão depressa ...



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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Como quem não quer a coisa ... estou de volta!

Sem mais nem menos, abandonei o blogue ! Sem desculpas, nem justificações ... apenas porque sim! Porque na vida tudo tem que fazer sentido, não importa se é importante ou simples, apenas tem que fazer sentido!

E sem desculpas, nem justificações: aqui estou de volta, apenas porque sim ... porque agora já faz sentido, porque agora apetece estar de volta ...

Apaguei todas as mensagens antigas ... estavam cheias de lamentos ... pelo menos ao reler textos antigos, pareceu-me que sim,

Estou de volta, e estou contente por isso! ...