quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Centro de emprego, desta vez foi diferente

 
  Era uma sala cheia de gente, não conhecia ninguém ... e aqui num aparte, acho que deveria ter estudado sociologia, estaria desempregada na mesma e pelo menos seria um curso que me teria dado muito prazer tirar ... fiquei no meu canto, encantada a observar as "gentes". Outro aparte, observar não é coscuvilhar, esclarecido este ponto que me parece de importância vital, para que não fiquem com más impressões minhas, continuei encantada pelas várias reacções, pelas várias emoções que as expressões faciais demonstravam; havia os desencorajados que diziam mal da vida, que perderam as esperanças, que já tinham testado o sistema, que que sabem que funciona mal ... muito mal. Havia os esperançosos, desempregados há pouco tempo ... e que acreditam que é apenas uma fase e alguma coisa vai acontecer  e os reencontros: sim! os que trabalharam na mesma empresa e que depois de muito tempo sem se verem, reencontram-se na sala do centro de emprego. Foi uma felicidade no meio de muita desesperança, saber dos filhos, da vida do que se tem feito. Pertinho de mim, quase no mesmo canto, dois conhecidos, aconselhavam-se mutuamente em estratégias de alcançar a reforma próxima ... faziam contas aos anos de trabalho, às penalizações das reformas antecipadas, definiam planos e traçavam objectivos - os possíveis dadas as circunstâncias
   Já sentados, alguém se queixou de ser demasiado qualificada, enfatizando parte do percurso profissional, não consegui disfarçar o sorriso que foi ligeiramente sonoro e fez o vizinho do lado voltar a cabeça na minha direcção - amiga, para ganhar 500 euros, somos todos demasiados qualificados - não disse, mas pensei. Normalmente as audiências são heterogéneas, desde a 4ª classe até à licenciatura, este tipo de comentários faz voltar a cabeça para ver quem é o dr.  Nesta reunião surtiu pouco efeito, a maior parte eram licenciados, ninguém voltou a cabeça, eu sorri, provavelmente outros também. Aposto que está desempregada à pouco tempo, ainda sente necessidade de explicar que não merece o que lhe aconteceu, que era boa profissional, que ainda pensa que o desemprego prolongado é coisa de preguiçosos de gente com poucas "vontades". que quer acreditar que é diferente, que não pertence aquele mundo. Também passei por essa fase, mas o tempo cura-nos as manias todas ... 

    E foi assim o dia de responder à convocatória para ir ao Centro de Emprego. Durante todo este tempo, já foram várias as cartas que recebi, com o tempo deixei de lhes dar crédito e só vou para que não me cortem a inscrição, porque o subsídio já acabou há que tempos. Mas desta vez e contra todas e quaisquer expectativas, foi interessante. Não vim com um emprego de lá, mas isso de conseguir emprego não é tarefa que alguém faça por nós ... só se tivermos sorte, mas não me parece algo fácil de acontecer.  

   Fomos a uma sessão de esclarecimento sobre os vários apoios e programas que existem para auxiliar a procura de emprego, eu já entrei na fase "negativa" por isso sei que a maior parte não funciona, mas houve um ou outro que me deixou curiosa. Por exemplo se alguém tiver um projecto que ache viável mas não avance com ele, porque simplesmente não sabe por onde começar, há entidades oficiais que ajudam no arranque, que aconselham, que informam as questões legais e até auxiliam no financiamento. É o gabinete de apoio ao empreendedorismo e está ligado ao centro de emprego e às Câmaras Municipais - nesta autarquia
   Fiquei a pensar no assunto e de certeza que vou voltar com algumas questões e para pedir alguns conselhos, a quem sabe disto mais do que eu e até me possa mostrar um prisma diferente daquele que a minha visão consegue alcançar neste momento. 
  É que a minha visão anda turva, não consegue ver o horizonte muito brilhante ...