sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Histórias maravilhosas que não se contam, porque fazem corar


O rapazinho apaixonado por B.D. , lê os livros como quem come pipocas, uns atrás dos outros. Lê-os várias vezes, muitas vezes e de todas ri à gargalhada. Volta atrás, volta a ler as partes mais cómicas, e ri novamente como se estivesse a ler pela primeira vez, depois corre com o livro na mão e lê para quem estiver por perto. As palavras cortadas pelas gargalhadas fazem com que pouco se perceba. Mas ele diverte-se!

Quando era mais pequeno, perguntavam-lhe:
- Livro?
- Não, carrinho!! - dizia carregando e arrastando os Rs.
Parecia que não vinha a ser um grande leitor.

Engano, encantou-se com B.D.

Entretanto, quiseram dar-lhe outro tipo de livros:
- Não, tem demasiadas letras e poucos bonecos!
 - Está bem ...

Mas no aniversário deram-lhe um livro do tipo calhamaço - Illuminae - que leu numa semana. Estava na hora e como quem não quer a coisa, veio da biblioteca o livro " A história de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar". Leu o livro de uma só vez, e quando pensavam que já estava na cama, entrou na sala com olhos chorosos e o livro na mão.
- Já li ...
- O que se passa?
- Eu não sei como acaba o livro ....

As lágrimas soltaram-se e o rapazinho que adora jogar, jogos malucos e violentos, onde se mata e se rouba, onde não existe moral  que vê filmes que  tirariam o sono a muitos adultos, chora como uma Madalena arrependida porque não sabe se o gato voltou a ver a gaivota.

- Como é que eu sei se a gaivota não voou para longe e o gato nunca mais a viu? O livro não diz ...
As palavras são ditas com dificuldade e cortadas por soluços difíceis de controlar ...

Ora, quem diria ...




7 comentários:

  1. É a beleza da leitura, quando se começa a apanhar o gosto...
    Tantos livros li que fiquei com essa duvida, com esse nó na garganta, do que viria a seguir...
    Será que os meus pequenos também vão dar leitores? Não sei, mas gostava que conseguissem pensar, imaginar, ficar com o mesmo nó na garganta a pensar no que virá a seguir...

    Beijiho e bom fim de semana!

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    1. Eu também e não adianta inventar um final para a história, porque não é o mesmo. Mas este livro até tem um final mais ou menos perceptível, ele é que não atingiu =)
      beijinhos

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  2. Adorei te ler e faz pensar...Obrigadão pelo carinho! bjs praianos,chica

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  3. Olá Isabel, venho agradecer a visita e o carinho que deixaste no meu cantinho. Obrigada!
    Quanto ao teu leitor, é caso para dizer: mudam-se os tempos mudam-se as vontades... ou serão as necessidades?
    Beijinho, muita força, vejo que por aí as coisas não estão muito bem, em termos profissionais. Coragem!

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  4. Há BD de uma qualidade literária excepcional.
    Hugo Pratt e o seu Corto Maltese é o melhor exemplo dessa realidade.
    Boa semana

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  5. Tadinho ... ainda não conhece o conceito de narrativa aberta.
    Mas, o que é realmente importante é a descoberta da leitura. Tão lindo ... relembro outra criança - o meu filho, muitos anos atrás.
    Boa semana, Isabel

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  6. Um abracinho para o rapazinho leitor :)
    beijinhos

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