terça-feira, 15 de novembro de 2016

As nossas escolas - parte 1

Somos o país europeu com mais horas de aulas semanais, somos o país europeu, onde mais se reprova. As nossas crianças saem de casa, quando os pais vão trabalhar e só regressam a casa quando os pais regressam também. Os pais trabalham, chegam a casa e entre banhos, TPC e jantar, passa a noite,  sem sobrar tempo ou qualidade de vida.

Pela manhã os pais saem de casa já cansados, e os meninos , em muitos casos, saem de casa   com um pequeno almoço demasiado calórico, demasiado açúcarado, rico em amido e em gorduras; pobre em proteínas e vitaminas. Vão de carro, não se mexem, não consomem a energia que ingeriram, chegam à escola  exigem-lhes que se sentem e assim permanecem durante muito tempo,  caladas, atentas e sossegadas! Elas não conseguem, precisam de se mexer, precisam de correr, de brincar, de gritar de serem crianças. Não podem, dão-lhes ritalina - o medicamento do momento - e elas acalmam, aquietam-se no seu lugar e não chateiam mais.

Os meninos também têm as actividades, que funcionam como um escape às consciências dos nossos dias, os meninos fazem desporto, vão às aulas de música, vão ao inglês, portanto está tudo bem ... parece que controlando todos os seus passos vamos ter adultos bem moldados à sociedade e profissionais competentes, pro-activos, assertivos e  bem sucedidos, já para não falar nas festas de aniversário onde tudo é organizado no mais pequeno pormenor, para que as crianças se divirtam ... será?

Já ninguém corre na rua, no parque sem que os pais gritem que se sujam, que se magoam, que vão magoar alguém ... que qualquer catástrofe iminente vai acontecer. Tudo é almofadado para que as nossas crianças não esfolem os joelhos. Os jogos de lutas e de armas que aterrorizam os adultos, são muitas vezes proibidos por ideologias que esperam formar adultos pacíficos. Ainda ontem eu ouvia um apelo do Prof. Carlos Neto para que deixem as crianças brincarem ás lutas e ás guerras porque ao contrario do que se pensa, o contacto físico nestas brincadeiras dá-nos consciência do "outro" e ensina-nos a perceber e a respeitar o próximo. Ensina-nos a fragilidade e torna-nos adultos mais conscientes.

Se vos interessar o tema recomendo esta entrevista, ao Prof. Carlos Neto  http://observador.pt/especiais/estamos-a-criar-criancas-totos-de-uma-imaturidade-inacreditavel/  . Leiam se puderem, é extensa, mas vale a pena, porque põe o dedo na ferida.
Aos avós, que dão cabo dos nervos dos pais com tantos cuidados e advertências, leiam por favor ...

Sim, é uma indirecta cá para casa =)






10 comentários:

  1. :)
    Como eu quero, tento e tentarei lutar contra a corrente!
    mas não é uma caminhada nada fácil...
    Quero diferente do que vejo e do que acho que não será bom... mas depois... ponho-me a pensar "será que tentar fazer as coisas de forma diferente não os vai tornar demasiado diferentes dos restantes?". Na sociedade em que se tenta "educar para a diferença", olhar para as particularidades e ritmos de cada um, mas que usa a mesma tabela para todos...

    Tantas dúvidas... Nenhuma certeza do que fazer, mas com a certeza de querer respeitar, apiar e diversificar...

    Beijinhos!

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    1. Eu percebo muito bem o que dizes e as dúvidas do que está certo ou errado ... e a verdade é que já mudei várias vezes de opinião e no que eram certezas absolutas, apareceram muitas interrogações.
      bjs

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  2. Olá, Isabel!

    "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", isto é, o k hoje é verdade, dado como assertivo, amanhã pode já ser mentira. O ontem, não tinha redes sociais, maquinetas pra jogar, mas tinha brincadeira, q.b. polícias e ladrões, berlindes, e nós, meninas, fazíamos casinhas, onde colocávamos os nossos meninos/as (filhos) e íamos calçar os sapatos de salto alto e pôr batom da mãe, aguardando os nossos maridos e víamos os desenhos animados, a Rua Sésamo, etc., mas não tínhamos de ir para o futebol, para a música, extra curricular, para o Karaté, para, para...

    Há uns anos, os médicos, diziam k a sardinha fazia mal, sobretudo às pessoas com doenças de coração. Agora é um peixe excelente. A aspirina fazia mto mal, não sei a quê, agora, previne enfartes do miocárdio. Evidente, k os estudos destas "coisas" continuam a fazer-se, mas não se entende tanta contradição, no antes e no depois.

    Beijinhos e tempos diferentes, pra melhor!

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    1. É verdade Céu, muitos estudos chegam à opinião publica, mas não se sabe bem quem os faz e quais as competências para os fazerem. O salmão é um clássico que ilustra bem isso, tudo não passou de publicidade dissimulada =)
      beijinhos

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  3. Tens razão, excepto ... o que seria dos pais sem os avós? Os santos, os adorados avós!
    beijo

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    1. Não me interprete mal =) eu adoro os avós!
      beijinhos

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  4. As minhas filhas estudaram sempre em escolas particulares (a mais velha já está na universidade).
    E ali mesmo ao pé de casa.
    Aqueles privilégios que Macau nos dá.

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    1. Os meus ainda estão longe da universidade, mas o tempo passa depressa. =)

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  5. Nada como antigamente!
    Com a idade da minha neta eu já preparava o almoço e ia leva-lo à minha mãe que trabalhava no campo, em contrapartida a minha neta nem sabe pegar numa faca. Os pais têm medo que a menina corte um dedo, com a idade dela já tinha feito dezenas de cortes e nem por me aconteceu nada de grave.
    Isto é um pequeno ex: nem sei que diga, têm tantos medos será que estão a criar adultos melhores? os meus filhos são responsáveis, educados, trabalhadores, têm carácter e começaram a ajudar em casa muito pequenos, sempre os obriguei a fazer tarefas em casa, os meus netos não sabem descascar uma maçã, lavar um copo, nada...
    Das brincadeiras nem falo, cair, sujar a roupa, correr, tropeçar, magoar um joelho, nada!... parecem uns bonecos sempre limpinhos...
    beijinho, eugénia

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    1. É mesmo disso que eu falo, cá em casa os miúdos têm algumas liberdades, já se magoaram uma ou outra vez, mas não foi nada de grave e quantas mais vezes fizerem determinadas tarefas, mais segurança vão ter. É claro que tem que haver bom senso. É muito dificil explicar isso a quem só pensa nas mil tragédias que podem acontecer.
      Beijinhos Eugénia!

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