quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A liberdade e a escravidão aos bancos

Quando alguém sabe da nossa situação de desemprego conjunto, sinto que há uma aflicção imediata com as questões económicas. Como é que se vive desempregado? Nunca abordei aqui o assunto por achar demasiado íntimo, mas acho que a partilha da nossa experiência pode ser útil. Por isso sem qualquer tipo de moralismos ou paternalismos, aqui fica o que para nós foi uma experiência de sucesso e que nestes dias mais "intensos" faz toda a diferença na nossa vida.

O que mais pesa no orçamento familiar da vida da maior parte dos  portugueses é, sem dúvida, o crédito à habitação, por isso há que ter atenção, muita atenção e cuidado,  na hora da decisão da compra de uma casa. A escolha da nossa casa, feitas muitas contas e cálculos de desgraças possíveis, obedeceu a um tecto máximo de crédito que queria-mos pedir ao banco e acha-mos ser dentro do nosso rendimento, muito importante a taxa de esforço!  Na altura era muito fácil o crédito, se queria-mos 10, davam-nos 20 com a maior das facilidades. O gerente de um  banco, de quem nós não era-mos clientes - nem ficamos  - e o construtor que nos vendeu a casa e que nos acompanhou ao banco, porque tinha lá "conhecimentos" =) insistiam no disparate que estava-mos a fazer ao dar uma entrada na casa tão grande,  pois os juros eram muito baixos e compensava mais utilizar o dinheiro noutros "investimentos" - leia-se carros, férias e bugigangas ... não fomos na conversa!.
Pouco tempo depois, tivemos a primeira ameaça de desemprego, que acabou por não se concretizar, mas o susto levou-nos a fazer um plano de amortização anual da casa, para que em 10 anos a conseguisse-mos pagar. Assim dividimos o valor do empréstimo por 10, deduzi-mos o que amortizávamos anualmente nas prestações da casa e no final do ano tinha-mos que ter a diferença para amortizar 1/10 do empréstimo. Juntávamos todo o dinheiro, dos subsídios de férias e Natal, dos jantares fora que passaram a ser em casa ... dos cafézinhos ... dos almoços - fomos dos primeiros a levar marmita para o trabaho :)  Conseguimos pagar a casa em 4 anos e meio! E isto fez toda a diferença nas nossas vidas. Senti-me livre! Livre dos compromissos e da hegemonia bancaria que nos asfixia. Ficou-nos o hábito da poupança e decidimos nunca mais contrair crédito para nada. O truque é antecipar as necessidades das compras, por exemplo se sabemos que o carro está a ficar velho, o melhor é ir preparando economicamente a compra, assim poupamos muito, nos juros do crédito ao consumo que são altíssimos.

Não se consegue poupar em tempos de crise, todo o plano de poupança, terá que ser feito quando há disponibilidade económica para ele.

E lá vem a frase feita: cada caso é um caso; cada família tem um rendimento financeiro diferente que não permite padrões iguais de poupança. Cabe a cada um de nós avaliar a sua situação e decidir o melhor, a pensar no futuro e a equacionar os piores cenários, pois a vida nem sempre vai ser igual. Se for, melhor!! =)


8 comentários:

  1. Isabel, que bom que conseguiram antecipar-se e evitar o pior.
    Acho que a vossa experiência é uma verdadeira lição de vida. Ainda bem que decidiu divulgá-la.
    Beijo

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    1. Obrigada Nina =)
      Sempre que penso nisto sinto um alivio enorme ...
      beijos

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  2. Há dois grandes investimentos na vida da pessoa - a educação dos filhos, a casa de morada da família.
    Que têm de ser devidamente pensados e acautelados com tempo e a tempo.
    Nem que obriguem a prescindir de outras coisas que não são em nada prioritárias.
    Bfds

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    1. É verdade Pedro, também andamos a pensar muito na educação dos filhos, para não haver contratempos futuros.
      Boa semana!

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  3. A cada um decidir prioridades, é verdade... mas calculo que haja situações de muito desespero e em que se perca o discernimento.
    Beijinho de Bom fim-de-semana.

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    1. Eu sei que sim Isilda, assisti de perto a quem perdeu tudo e recomeçou do zero, é uma aflição, por isso estou muito feliz pelas decisões que tomei.
      Boa semana

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  4. Eu nunca conseguiria fazer nada parecido. Só o meu pequeno ordenado para duas pessoas, nunca se consegue poupar. Quando chega o subsidio já está estipulado para o IMI, o seguro da casa e carro, não dá para poupar nada. Nunca estive no desemprego apesar de o aguardar há 1 ano, vou vivendo mês a mês ...
    Beijinhos
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    1. Espero que o desemprego não chegue, espero que tudo te corra pelo melhor!
      Beijinhos

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