domingo, 8 de janeiro de 2017

Parece que o desemprego desceu!

Quando ouvi a notícia fiquei contente, mas depois pus-me a pensar : o ano passado duas cunhadas ficaram desempregadas, o marido  também, a isto soma-mos os colegas do marido e algumas pessoas amigas. Eu sei que não somos o centro do mundo e há mais vida para além de nós, mas continuei a pensar: o que leva desempregados de longa duração a manterem a inscrição no centro de emprego? Pensando bem: nada! Esgotado o subsídio de desemprego, só nos dão chatices. Recebemos cartas para fazer formações que não servem para nada, com um grande  parágrafo dedicado a ameaças de corte da inscrição no IEFP, no caso de não ir-mos. Outras vezes chamam-nos só porque sim ... para actualizar dados, quando os dados se mantém iguais, para ir-mos a sessões de esclarecimento que sabemos não esclarecerem nada, porque se houver dúvidas, mandam-nos perguntar a "outros". Há também os cortes de inscrições feitos à má fila, porque não se foi, aonde nem se sabia que tinha que ir. Outros exemplos haveria para justificar que quando acaba o subsidio de desemprego, mais vale não estar inscrito, porque o IEFP, simplesmente não funciona, só serve para gastar o dinheiro dos contribuintes!  
Conclusão: acredito que muitas pessoas simplesmente desistam da inscrição, sem que isso signifique que estejam empregados, conheço alguns que assim o fizeram, chamam-lhes os desencorajados.  E se não estão inscritos, não são considerados desempregados. Depois há ainda os que estão a fazer formações de fraca qualidade e sem consequências futuras,  que também saem da estatística, também conheço alguns.
Há ainda os muitos milhares que emigraram. Aqui no meu prédio - que é pequeno - são três famílias; também não contam para as estatísticas.
Depois há ainda os que voltaram ao mercado de trabalho, mas encontraram um mundo de precariedade ... sei de cada história. A estatística não diferencia os que mantém as mesmas condições dos empregos antigos, dos que voltaram precáriamente. Na minha área de trabalho pagam em média metade do que pagavam há 6 ou 7 anos atrás. Cheguei a ir a entrevistas em que ofereceram um terço.

Por tudo isto, é uma noticia que não me convence ... 

Para que fique claro o meu raciocínio, fui ao site da pordata aqui e constatei que em 2008 havia em Portugal  5.116,6 milhares de pessoas empregadas; em 2015 havia 4.548,7 milhares de pessoas empregadas, são mais de 550 mil empregos perdidos entre 2008 e 2015 ... 

Estranho contudo, o aumento dos valores médios dos salários em Portugal, mas desconfio que tenha a ver com o aumento do fosso entre os mais pobres e os mais ricos, entre quem consegue manter privilégios que saem caros há maioria de nós que os perdemos há muito tempo e não sonhamos sequer voltar a tê-los nesta vida.


8 comentários:

  1. Isabel, saiba que para mim não é apenas um número, é uma pessoa com alta habilitação desaproveitada. Incomoda-me imenso ver a situação de pessoas como a Isabel assim desbaratadas. Compreendo a debandada dos altos quadros - são pessoas revoltadas e com toda, toda a razão.
    Receba o meu forte abraço e desejo de que tudo mude. Espero ler em breve um texto seu anunciando um novo emprego.
    Nina

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  2. É o sistema e do sistema, como dizia o outro, Isabel.

    Beijos e boa semana.

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  3. O BCE está a atingir a quota máxima de divida portuguesa que pode comprar, há quem diga que isto está prestes a rebentar outra vez. Tempos complicados ...
    beijinhos e tudo de bom! Se fizermos a formação das meias :) estas convidada, claro que sim!

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  4. Manipular os números do desemprego é muito fácil.
    Será esse o caso?
    Boa semana

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  5. Eu acho que é mesmo isso, acaba o subsidio (odeio a palavra subsidio, faz-me sempre lembrar o tempo da outra senhora)acaba o desempregado...
    Eu já não queria um emprego, só queria trabalhar
    beijinho

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  6. É, eu tenho a mesma opinião. Eles falam falam, mas a verdade é que eu vejo as coisas na mesma.
    E sim, há as formações que não servem para nada e sai-se das estatísticas. Há um postal extraviado e sai-se das estatísticas. Há os POC's (que é outra sem-vergonhice) e sai-se das estatísticas. Há as cartas que são enviadas a convocar para um dia e só se recebe no outro dia e... bem acho que já me expliquei.
    São uns belos duns "tachos" esses trabalhos no centro de emprego, pelo menos os que eu conheço.
    Mas pronto, isto há-de ir parar algures (como dizia o meu avô) e esperança é a última a morrer.
    Vai correr tudo bem, mesmo que demore um pouquinho mais. O que é importante é não desanimar.
    Se conseguires, lê o livro do Mindfulness. É muito bom, ajuda nestes momentos menos positivos. Está muito bem explicado e tem exercícios que ajudam muito, bem como exemplos de pessoas reais. Eu consegui dar um pouco a volta aos meus pensamentos negativos e agora já consigo ver as coisas de outra forma, mais positiva.
    Quanto aos pais na horta, tenho-te a dizer que os meus também me estão a começar a "dar água pela barba"! Vou ter que ter uma conversa séria com eles. Ai, a vida.
    Beijinhos, força aí, vai tudo correr bem :*

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  7. Não imagino o que é estar desempregado. Deve ser um sufoco brutal pois as contas caiem sempre na caixa do correio e as ameaças de cortes, caso não se pague, aparecem logo rapidamente. Desejo que 2017 seja o ano da viragem (os políticos andam animados com a economia.....) e que aconteça por aí essa viragem para o lado positivo. Beijinho

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  8. Olá Isabel, lindo nome, o nome que dei à mãe das minhas pulgas ao nascer. Hoje consegui chegar até ti. Obrigada pelo alento deixado no meu Berlogue. Assim farei. Vou ter força para recomeçar.
    Kis :)

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